Estou extremamente desagradado. Aliás, estou mesmo é fodido, porque estar extremamente desagradado é coisa de rabichola.
E porquê? Porque está um calor do caraças e eu estou aqui, em vez de estar na praia a ver gajas de biquini. Ou mesmo de monoquini. Ou até de miniquini, que é mais o que se usa hoje. Para não falar nas que usam o ‘Seolharesbemdáparaverosováriosquini’, que é dos últimos modelos.
Mas essa questão não é o assunto do dia.
O assunto de hoje é uma dúvida. E podem-me dizer ‘ah, mas ó Pikes, estás sempre com dúvidas’, ao que eu respondo ‘Quem raio é que me está sempre a perguntar estas merdas, pá?!’.
Bom, se repararmos bem, os imigrantes de leste que se encontram no nosso país são praticamente todos formados. Eles são médicos, engenheiros, cientistas, gestores, economistas, arquitectos, veterinários e, enfim, doutores em geral.
Isto gera uma questão: se essa gente está toda cá, quem é que fica lá? O putedo?
É que gajo vai a uma casa de meninas e arrisca-se a ter que ir para a cama com uma doutora. Então e os empresários da noite contratam gente sem experiência? A coisa na Ucrânia está boa é para a putaria, é isso?
Isto a mim cheira-me a tanga. A tanga e a apropriação de ideias alheias. É que quem teve a ideia de ir para o estrangeiro e voltar de lá doutor fomos nós, com o regresso de Angola e Moçambique. Já nas idas para França e Suíça a coisa não correu tão bem, porque saíram daqui portugueses e voltaram – quando voltam, e não ficam pelo caminho na auto-route - umas pessoas estranhas que não falam português nem francês, e que trabalharam a vida toda cerca de 16 horas diárias, porque cá não estavam para só trabalhar oito... No entanto vêm cheios de guito. Bom, mas isso agora não interessa. O que me interessa é que se eu quero uma empregada de limpeza, quero uma senhora gorda, despachada, analfabeta e que principalmente tenha experiência. Mas o problema é o seguinte, essas senhoras estão em França, emigradas.
E se as que cá estão são doutoras, a limpeza habitacional em Portugal está em decadência!
Claro, temos sempre as senhoras brasileiras. Mas eu quando olho para um anúncio de jornal a dizer: ‘Oi. Moça jovem, de Minas Gerais, faz a sua limpeza toda direitinho’ perco a vontade de gastar dinheiro em empregadas de limpeza e começo a procurar universitárias.
Voltando à vaca fria, e não me refiro ao espectáculo ‘Elsa Raposo on Ice’, pergunto ainda: será que a Ucrânia está a tentar monopolizar mundialmente o mercado de empregadas de limpeza? Porque é que não as deixa sair de lá? E depois claro, há uma outra coisa. Então se são médicos, porque é que não fazem uma coisa que me parece lógica? Tentem ser médicos cá! O corpo humano lá é diferente? O fígado é nas pernas? O cérebro está no intestino? Se é isso, podiam especializar-se em medicina política.
Também podem dizer que há a questão da língua, que os termos são diferentes. Portanto, operar à apendicite faz confusão e eles não percebem, mas ‘carrega lá esse balde de massa’ ou ‘assenta lá aí esses tijolos’ já é fácil?
Na verdade, o que eles querem é voltar para o país deles e depois andarem armados em cagões para os amigos. Com o dinheiro que ganham cá, vão para lá, para as aldeias deles, e depois constroem vivendas chamadas ‘O Nossovsk Ninhinsk’ e andam a gabar-se, com conversas do género:
- Então, Vladimir, como foi a vida lá em Portugal?
- Ó Igor, aquilo lá é que é. Trabalhei em obras, a Ivana foi empregada doméstica, foi maravilhoso.
- E os miúdos?
- Ui, ao princípio iam-se estragando. Cheguei a apanhar o meu mais velho com papéis da universidade escondidos na cama. Mas dei-lhe uma tareia e ele entrou na linha. Hoje conduz uma empilhadora num armazém.
- Epá, esse já não deve voltar…
- E vocês, por cá?
- Olha, a miséria de sempre. Continuo a administrar aquela empresa e a minha mulher ainda não passou de cirurgiã-chefe no hospital da capital…
- Que chatice. Vocês deviam ter ido à procura de vida como eu, em vez de se acomodarem…
Claro que se tudo isto for lido com sotaque, a dimensão é muito maior…